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histórias, crônicas e contos

A casa

                                                                

                                                                                                                     Imagem: Public Domain - CCO

Por: Antonio da Mata

Ao chegarem nas latitudes tropicais da América, os navegantes europeus eram homens submetidos a viagens extensas, pouca água potável e alimentos rançosos. Viviam confinados em pequenos espaços. Provinham de cidades portuárias insalubres no verão e muito enfermiças no inverno.

Surgia em suas vistas uma terra tão diferente. Gentes, pássaros, ares e paisagens tão incomuns que os europeus, estupefatos, acreditaram ter chegado no paraíso.

Dali em diante a história do novo continente registraria, em diversos momentos, indicações do deslumbre humano ante à multiplicidade da beleza natural de suas regiões. Nos séculos seguintes, novas terras descobertas ofereceriam outros vislumbres de um mundo particularmente belo.

Descobrir terras e riquezas, era o propósito. Secundariamente aos seus interesses imediatistas, contactavam povos tidos como atrasados, quando não, simplesmente selvagens. Povos incapazes de lhes acrescentar algo realmente útil. Assim pensavam os desbravadores. Aqueles que escreveriam a história das conquistas e da expansão por sobre todo o mundo.

O espírito humano, na sua singeleza, era por si só portador de grandes riquezas sob a forma de conhecimentos. Porém, o acesso a este manancial novo exigia a compreensão e aceitação do outro. Exatamente como o Cristo ensinara.

Ao se optar pelo desbravamento, dominação e conquista, os conhecimentos úteis, valores que poderiam contribuir para a abertura dos portais do espírito, foram subjugados.

Com a mensagem de Jesus retida nas igrejas e os desbravadores atuando às cegas, pois também viviam na ignorância espiritual, as demais dimensões da vida, os planos espirituais, tornaram-se de difícil acesso. A febre do ouro cegava os homens e com a cegueira, o sentido da espiritualização se perdia. O obscurantismo e o fanatismo fechavam o círculo.

Os demais povos e civilizações, para além da dimensão física, mais que invisíveis, tornaram-se quase inexistentes. Ainda que tal análise se mostre difícil, a perda pode ter sido avassaladora. Isto, ao restringir as chances de evolução do próprio homem.

A humanidade de superfície não é a única neste mundo. Entretanto, é a que mais suja, física e espiritualmente, com suas emanações negativas, extrapolando todos os limites do bom senso e da coexistência pacífica.

Desprovidos dos elementos para a compreensão, ignora completamente a presença sutil de seus vizinhos de morada celeste, impossibilitando-se de interagir com os demais, em seu próprio favor. Foram deixados no nível do fantástico, para alguns, do fantasmagórico.

Os povos do fundo dos oceanos; mares; rios e lagos convivem com esgotos e dejetos que não constituem poluição sua, descaso seu. Ainda que não sejam seres tridimensionais. Contudo, são atingidos pela vibração pobre e emanações enegrecidas do acúmulo de toda sorte de rejeitos. O lixo dos seres de superfície está sendo posto na casa do vizinho.

Povos intracrustais também são influenciados pelo que acontece na superfície da Terra. O grande número de explosões atômicas, a partir da Segunda Guerra Mundial, no século XX, foi-lhes particularmente nocivo. Na superfície, viviam-se os tempos da alienação. No interior da Terra, a angústia de se viver à mercê de crianças espirituais, brincando com artefatos nucleares.

Além disso, as mudanças ocorridas na emissão de raios solares, afeta tanto aos demais, quanto aos seres de superfície.

Elementais se agitam e se perturbam em seus espaços e domínios cada vez mais invadidos e desfigurados. O ar está tomado de resíduos sólidos. Poeira e fuligem em profusão. Fadas e sílfides, guardiões dos ares, são mobilizados e orientados para o início dos processos renovadores do planeta. Os ventos vão soprar intensamente na superfície do globo.

A terra encontra-se envenenada. Em vastas áreas, simplesmente desnudada. Duendes e gnomos são convocados a intervir com maior assertividade em seus domínios.

Responsáveis pelo que é matéria, pelo fenômeno da geração e nutrição, se preparam para ingressar na grande mudança que afetará todo o globo. As bases alimentares vão ser alteradas, em favor do próprio homem. O fim do carnivorismo se avizinha, tanto para o reino animal quanto para o reino hominal.

As águas tomadas por toda sorte de dejetos. Sereias, ondinas e ninfas irão vibrar com maior intensidade, levantando as águas em grandes e avassaladoras torrentes. Fenômenos desconhecidos do homem participarão do início da grande purificação. Rios e lagos mudarão de lugar, mares mudarão de lugar.

As salamandras, os elementais do fogo, agitarão o interior do planeta e os vulcões, oferecendo a purificação pela queima das energias deletérias da humanidade de superfície. É a assepsia pelo fogo. Estas ações, em conjunto, participarão dos desencarnes coletivos, há muito esperados. As doenças completarão o cenário.                                           

A Lei de Destruição não constitui o exercício da maldade, mas o necessário refazimento. A transformação de algo que já se encontrava irremediavelmente perdido. O Criador não estabelece leis para o exercício do terror.

É o grande salto planetário. A Nova Terra se prepara para nascer. Mundo pujante, refeito, mais completo, evoluído e bom. Como tudo aquilo que traz a marca do Criador.

Este mundo novo não será reconstruído e não surgirá sobre as costas e o sacrifício desmedido dos homens. O apoio de todos os povos do globo, em todas as dimensões, além da presença amigável de verdadeiras multidões de outras humanidades, será uma constante. Nem no passado, nem agora, nem depois. Jamais estivemos sozinhos.

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