Por: Antonio Mata
De ruas vazias, semáforos esquecidos, onde quase ninguém quer passar. A maioria saiu ou ficou a dormir. Não faz mal, fica melhor na porta da padaria.
Leva pé de moleque, pupunha não tem mais. Tucumã, nem verde, nem cheiro, nem pensar. Às onze já encerrou quase tudo. Aí é ruim de vender. Dali a pouco, melhor ir embora.
Cheiro de carvão queimando e gordura no ar. O tempo passou, só se pode esperar. Se adapta e escapa ao sol rachado da tarde, do mormaço, esse não.
Lá pelas cinco, sol tá baixo. Precisa de disposição para andar. Vai até às seis e meia. Pisar e amassar latas até perder a conta. Agora é até a perna cansar.
O saco de alumínio nas costas já ficou pesado e a perna dormente. Vai para casa para recomeçar na segunda-feira. Vai ter mais gente na rua, nos carros. Quem sabe chegou pupunha. Quem sabe chegou tucumã.