Por: Antonio Mata
Quando foi levado a se aproximar do lugar, admirava o contexto dos cenários e espaços amplos. De repente, chamou-lhe a atenção uma aglomeração.
Os edifícios equidistantes, cada um com sua destinação específica. Pessoas caminhavam no local cuidando de seus afazeres. Tudo muito limpo e organizado. Seu acompanhante acenou com o braço.
Apontava para aquele grupo de pessoas que faziam ou pretendiam fazer uma fila, só que se aglomeravam de novo. Foram se aproximando, deveriam ingressar no edifício com aquele grupo junto a entrada. Qual não foi sua surpresa ao se aproximar daquelas pessoas.
Não custou a identificar algumas faces conhecidas. De início encarou com uma certa simpatia e achou interessante poder encontrá-los ali. Ideias de satisfação afloraram em sua mente enquanto caminhava.
Contudo, na medida que se aproximava, pôde ver com mais clareza. Havia naquele grupo, na totalidade, um certo ar de nervosismo, uma certa apreensão. Ao chegar de vez, suas suspeitas se confirmaram.
Pelo menos três deles acenavam lhe chamando. Acenavam várias vezes e ficavam atentos, aguardando que se manifestasse. Entendeu logo que alguma coisa estava errada. Mas, ali, logo ali?
— Que bom que você está aqui rapaz. Não faz ideia de como foi importante revê-lo. — Havia uma conotação de preocupação nas palavras daquele homem. Ficou cismado mais uma vez. Mas, logo ali naquele lugar?
— Estou aqui como um visitante, apenas isso. De modo que não pertenço ao grupo. Não aqui, de modo permanente.
— Mas para estar aqui é porque possui alguma vinculação. Imagino que importante, por isso quis lhe chamar. Por favor, não se esqueça de mim quando você entrar.
Enquanto isso, outro conhecido se aproximava.
— Se for possível, dê umas palavrinhas, meu amigo. Em meu favor sabe? Pelos velhos tempos, a um velho companheiro. Só pelos velhos tempos. É só o que te peço.
Entrementes, mais uma pessoa se aproximou.
— Lembra de mim, não lembra? Eu não esqueci de você. — Este procurava demonstrar tranquilidade. Mas, ao estender sua mão, ao apertar, notou que a mão estava fria.
— Sim, amigo, eu realmente não esqueci.
— Então, se for possível fazer alguma coisa, qualquer coisa. Não é bem como eu pensava. Aqui não é nada fácil amigo. Você é algum tipo de autoridade?
— Lamento, realmente não tenho autoridade alguma. Volto a dizer, sou apenas um visitante.
— Queria ficar calmo, me sentir calmo, sabe? Mas, estou apavorado. Não sei o que fazer.
Nisso o orientador do médium visitante interviu, pedindo que o acompanhasse, pois precisavam entrar logo. Despediu-se dos demais com um rápido aceno e retomou seu caminho.
Curioso, e estranhando muito aquela situação, não podia deixar de indagar a respeito.
— Não entendi, o que aconteceu com eles?
— Estão preocupados com sua própria sorte. Infelizmente de uma forma muito tardia. Como pôde ver, são acostumados a querer dar um jeitinho aqui, outro ali. Pensam que assim, poderão furar a fila e retornar à Terra.
— Será que ainda têm alguma chance de voltar?
— Infelizmente, da forma como pensam e agem, provavelmente não.
— E a situação deles, como fica?
— Infelizmente, terão de partir.
Enfim ingressaram no edifício. No pórtico, via-se escrito: Ministério da Reencarnação.