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terra de espíritos

histórias, crônicas e contos

Morada

Por: Antonio Mata

Nas mãos, as marcas de todo tipo de pedra, dos muitos martelos e cinzéis. Do barro reunido, umedecido, socado, enformado e empilhado. Há aquele lançado na trama de paus. Da madeira cortada, do bambu e dos cipós. As formas de se começar e todas são válidas.

De sol a sol, sob a chuva, sob o vento. Nos desertos, montanhas, florestas e campos. Na beira dos rios, nas praias entre ondas e maresia. Os domínios da vontade.

Quantas vezes se repetiu, isto faz parte daquelas coisas inimagináveis. De tão extenso, atemporal e difícil de se precisar. Só se sabe pelas marcas, pelos feitos. Muitas vezes, apenas ruínas deixadas pelos mundos. 

Tudo se deu por aquele amealhar de pequenas realizações. Que de tão comuns, tão disseminadas, se espalharam no silêncio dos tempos, povoando as estrelas. 

O trabalho era conduzido pela multiplicidade dos seres e estes eram simples e comuns. Ainda que cada vez mais capazes e mais inteligentes. Mesmo que submetidos a mais simples e a mais complexa de todas as escalas. 

Assim, o que é um Cristo? Um Cristo planetário é aquele que cuida da casa. Viveu para isto, cresceu com isto e assim tem sido. O Cristo é aquele que quis cuidar. 

Nasceu de coisas simples que adornam o ato de se viver. Entre elas, estava o desejo de conhecer as incontáveis moradas. O resto se deu ao longo da evolução da escala. O Cristo planetário é aquele que, um dia, preparava a madeira, amassava o barro e manejava o martelo e o cinzel.

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