Por: Antonio Mata.
Certamente que não haveria de conhecer tudo. Todas as ruas, praças, prédios e lugares. Nem era o propósito. O que buscava mesmo, era rever amigos e parentes. Daí ter se tornado um visitante assíduo. O lugar, daqueles de se colocar o pé no chão, na terra, também não ficava entre as ruas da cidade.
Chegava com o dia raiando. Prestativo, ajudava no serviço da roça, fosse da família ou não. Sentia um vigor que de outra forma já não lhe seria mais possível. Encarava com naturalidade e era recebido por todos. Estava em casa. Mariazinha e Juliano pareciam não ver o tempo passar.
Não precisava de multidão. Quatro ou cinco amigos se reuniam na palhoça para conversar, enquanto alguém preparava o café e o cuscuz no fogão de lenha de tantos outros dias. No horizonte, o sol já baixava.
Só as histórias, muitas. Estavam apenas começando entre um gole e outro. Horas assim, despreocupadas, noite adentro. Há muito o que contar de experiências tão diversas. Pois que os assuntos recorrentes envolviam as décadas e mesmo os séculos passados. Portanto, muita gente. Mesmo, outro mundo.
Ainda se vivia os dias da oralidade. Os mesmos dos dias de hoje. Fatos, lembranças e detalhes. Coisas corriqueiras que não costumam aparecer nos livros. A oralidade cuida de manter. Qual o ano? Qual o século? Aquele do café à beira do fogo, vendo a noite chegar. Quando exatamente, já não interessava tanto.
Pela manhã, decidiram visitar grupos próximos e levar-lhes seu auxílio no que fosse possível. O fato de ter passado a noite em claro muito pouco importava. Dias depois, chegava o momento de se pôr de volta.
Estava satisfeito, ainda que não lembrasse claramente o motivo. Ainda levaria pelo menos mais uma hora, antes do sol raiar. Revirou na mente buscando os afazeres do dia. Logo retomaria tudo de novo e estava tudo bem.