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terra de espíritos

histórias, crônicas e contos

Outros tempos

               

 

Por: Antonio Mata 

Quando chegaram ao local os habitantes do lugar já estavam à sua espera. Desacostumados, sentiam um certo cansaço pela viagem, em longo trajeto feito à pé. Estavam em processo de acomodação, conforme haviam explicado. 
 
Fosse como fosse aquele primeiro encontro marcaria de forma indelével a vida de todos os envolvidos. As implicações e soluções por vez,  modificariam as condições de vida de incontáveis pessoas em todo o mundo. Era benfazejo, almejado e bendito. 
 
Da parte da equipe visitante as impressões eram diversas. Desde aqueles mais exaltados e contentes com a experiência, ainda que contidos em suas manifestações, até os que manifestavam indisfarçável mal- estar. 
 
Conforme esclarecido,  tais impressões mais negativas, aos poucos seriam superadas. A caminhada tinha o propósito de oferecer uma certa aclimatação às energias corporais de todos os presentes. De fato não estavam acostumados com tais paragens. 
 
Diferente e expressivo, um tipo de coisa que acrescenta elementos novos nos quais se pensar. A verdade era exatamente esta, a floresta deixa marcas na natureza dos pensamentos e sentimentos daqueles que adentram seus domínios. Quanto mais positivos, maior o acolhimento ao visitante. É o princípio da aceitação e da compreensão. Quanto mais negativo,  maior a repulsa e o mal-estar. O resultado da incompatibilidade e da rejeição. 
 
Não se trata de gosto,  é manifestação do padrão vibratório de cada ser humano,  de cada espírito. Na matéria ou não. Está relacionado com as ações de cada um ao longo de suas vidas sucessivas. 
 
O homem apontado como o grande modificador de paisagens, foi mais exatamente o seu destruidor. Não estivessem as matrizes preservadas em outra dimensão, a perda seria irreparável. 
 
As suas reproduções, e não somente na matéria,  na terceira dimensão, alcançam inúmeras moradas do universo, que são receptadoras de material genético de flora e fauna originados na Terra. 
 
É o resultado inestimável dos esforços de biólogos e geneticistas que construíram o gigantesco manancial de vida que o planeta contém, iniciados quando do resfriamento da crosta se deu e a vida se manifestou pela primeira vez nos mares,  ainda aquecidos. A quem interessar possa, esta é a sina dos amantes destas ciências,  se tornarem co-criadores da vida. 
 
O mais fantástico era o encontro no meio da floresta matriz, onde o grupo de índios os aguardava. A indústria farmacêutica sofreria mudanças notáveis. O medicamento que apenas remedia, fazendo milhões de pessoas consumirem formulações que não promoveriam a sua cura, estava prestes a iniciar a sua contagem final. 
 
Este entendimento tomado de egoísmo e ganância vai  acabar, tamanha a sua inviabilidade em um mundo que avança, rumo à Nova Terra.
 
O que se sucedeu foi o encontro entre os portadores do conhecimento científico, lamentavelmente falidos em seus nobres propósitos, com aqueles que dedicaram suas vidas ao conhecimento da cura no seio da grande floresta. Os detentores do aprendizado com plantas medicinais, os índios da cura, os pajés. Aqueles que no seu aprendizado,  em sucessivas reencarnações na Amazônia, e nos grandes espaços naturais do mundo, angariaram conhecimentos empíricos inestimaveis, obtidos no maior laboratório a céu aberto do mundo. O propósito, alcançar a cura para todos os males da Terra. 
 
O encontro,  primeiro de muitos, feito de modo cordial e amistoso, valorizava a aproximação e a troca de ideias. A bem da verdade se a ciência é  neutra,  sendo o homem o único responsável pelo que fizer dela,  o saber tradicional igualmente é neutro. Afinal, se a mão do homem traz a raiz que cura, houve também quem trouxesse o veneno que mata.
 
Cientistas e feiticeiros falidos tinham diante de si a grande oportunidade da remissão.
 
Assim se fez, primeiramente a passos curtos, ainda de reconhecimento mútuo.  Depois grandes descobertas que ensejariam grandes amizades. Quem é  o selvagem, quem é o atrasado? 
 
O habitante da grande floresta ainda precisa conhecer a vida na dita civilização.  O homem de ciência ainda precisa conhecer o início de todas as coisas, e com ele a presença do divino Criador. Por-se a caminho da Luz. Aurora nova de todos nós. 

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