Menu

terra de espíritos

histórias, crônicas e contos

Reflexos

                                                         

                                                                                                                                      Foto: publicdomain.com

Por: Antonio Mata

Tanto era verdade que as ruas estavam completamente desertas. Certos falatórios ao longe, algo comum, já não se ouvia mais. Nem os carros que cruzam solitários no meio da noite, estavam lá. Somente 24 graus, foi o suficiente para correrem para dentro de suas casas, tangidos de tanto frio.

Uns e outros exerciam a sua bizarrice. Era aquele monte de condicionadores ligados em uma noite tão confortável. Tem aqueles que precisam do barulho do split dentro do quarto, senão nem dormem. Só não são a maioria. Estes outros colocam o bicho a 20 graus e então arranjam uma manta, um edredom ou cobertor. Se enrolam naquilo e assim podem dormir em paz.

Que não fosse por isso. Cães e gatos de rua, além de pássaros e morcegos, estavam todos satisfeitos. Sem latidos, perseguições ou pisoteio por cima do telhado.

Quando falta energia, vira a hora do pesadelo. Hábitos à parte, a noite calma era convidativa, de luzes refletidas na base das nuvens fazendo um cenário bonito de se ver, completado com o vento que chegava do rio.

Dias antes ocorrera uma enchente nas áreas centrais, com todos os inconvenientes, transtornos e dificuldades. Mas trouxe aquela noite de céu cinzento iluminado, que não falava de problema algum. Apenas estava lá, tranquila, bonita e fria.

Achou meio sinistro quando pensou que a quietude da noite se justificava pela ausência das pessoas que viviam ali. Deixou tais ideias de lado. Entrou, retornou ao quarto e foi dormir.

Não demorou muito, começou uma chuva leve que logo se transformou em forte tempestade. Havia aqueles que muito pouco se importavam. Lembrou, porém, das enchentes periódicas que costumavam acossar a cidade.

Foi noite de muitas casas alagadas, outras derrubadas até o último tijolo, pela enxurrada que se estendeu por duas horas e continuou chovendo, até quase amanhecer. A noite será sempre como ela quiser.

Go Back

Comment

Blog Search

Comments