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terra de espíritos

histórias, crônicas e contos

Terra mutante

 

Por: Antonio Mata

O lugar reunia diversos especialistas envolvidos com o controle do planeta. Em um primeiro momento, sugeria ser uma espécie de central de monitoramento das mudanças físicas. Bastou observar mais um pouco para entender que não era só isso.

Eram profundos conhecedores das forças dinâmicas formadoras da Terra, mas também acompanhavam a organização da vida. Leonel fora conduzido até ali na condição de mero observador. Rafael, um dos especialistas da equipe, estava encarregado de acompanhá-lo.

— Vamos até mais adiante. Acredito que tenha sido este o principal motivo da sua visita.

A seguir estávamos diante de grande tela, onde se podia visualizar uma imagem tridimensional. Na tela, a imagem guardava alguma semelhança em seus contornos gerais, com a foz do rio Amazonas. Porém, havia modificações.

— Veja que nos mapas disponíveis entre vocês, nas imagens orientadas, em computador, a parte destacada aparece como integrante da chamada Pluma do rio Amazonas. — Prosseguiu.

— Na realidade, toda a América do Sul terá sofrido um processo de soerguimento. Assim a pluma irá avançar na direção do oceano, oferecendo uma nova configuração. Esta que você está observando na tela.

— Há algo mais próximo de vocês. Antes do soerguimento, por conta das chuvas intensas que já estão atingindo todo Brasil, diversos rios amazônicos vão alterar seu curso, ou parte dele.

— Lembremos que isso já aconteceu antes, no passado da região. Os paleo canais e as paleo várzeas mostram isso.  Estes ajustes atuais, oferecem a reconfiguração da hidrografia da região.

— Então, voltando ao motivo de suas preocupações. A grande mudança será o soerguimento que do lado brasileiro, vai levar o litoral, da altura do Amapá e do Pará, a avançar cerca de 100km, oceano adentro.

— Esse movimento, ao longo do litoral rumo ao sul, em medidas diversas, vai fazer o país aumentar o seu tamanho. Várias ilhas oceânicas vão perder essa condição, pois ficarão ligadas ao continente. A faixa costeira conhecida como Planície Litorânea vai se alargar. — Rafael prosseguia, com esclarecimentos por demais interessantes aos ouvidos de um aprendiz.

— Com o tempo futuro, sob a ação dos ventos, das chuvas e dos animais, principalmente dos pássaros, o grande areal formado pelo recuo relativo do oceano, será parcial e gradativamente retomado pelas terras e sua cobertura vegetal.

— Meu Deus, fantástico! Mas, e a ação dos homens no litoral?

Rafael sorria, ante o comentário do visitante.

— A maioria já terá ido embora Leonel. Esqueceu?

— Ah, sim. Não prestei atenção. É o prêmio reservado aos destruidores e agressores de todas as ordens e de todos os níveis.

— Para ser sincero, meu amigo, a civilização, e com ela, as relações humanas como vocês conhecem irão acabar. Não é castigo, é cumprimento de Lei, em benefício de vocês mesmos.

Leonel agora entendia com muita clareza o preço a ser pago pelo egoísmo destruidor e concentrador dos patrimônios da Terra, que sempre foram oferecidos a todos, sem distinção.

Rafael prosseguiu.

— Assim, vocês verão a reconfiguração das terras do próprio planeta. É como se diz. Se subiu, tem que descer. Se a América do Sul estará subindo, outras massas continentais estarão necessariamente submergindo. Tenhamos em mente que isto não está restrito a terceira dimensão.

A conversa assumia contornos cada vez mais interessantes. Resolvi tirar mais algumas dúvidas.

— Circula na Terra um mapa proposto pelo médium Gordom-Michael Scallion, de 1978. Este, feito a partir de uma série de comunicações que teria recebido. Nesse mapa a Amazônia central aparece submersa. Como poderíamos interpretar esta situação? Achei estranho tanta preocupação com a floresta, para depois vê-la submergir. Como poderíamos interpretar este mapa?

— Sim claro. O mapa de Scallion. Foi concebido como um alerta aos homens da Terra quanto aos processos irreversíveis que o planeta teria de vivenciar em sua própria jornada evolutiva. Os textos disponíveis no mapa, deixam antever tal situação.

— Quanto a Amazônia, que aparece na maioria submersa, é preciso compreender uma coisa. As reservas físicas de matérias-primas oferecidas pelo Cristo, e que, portanto, fazem parte de sua estratégia, não poderiam ser prematuramente indicadas.

— Ao assumir em mapa que tal região estaria submersa, é como se isto indicasse que aquela região não teria mais valor no futuro. Concorda comigo? Nem tudo pode ser mostrado. Diferentemente dos dias de hoje, onde já vivenciamos, dia após dia, a situação crítica do Apocalipse de João. Tenha em mente que, a despeito da postura das mídias do mundo, este mapa também esteve nas mãos de muitos governantes. Tão ardilosos quanto gananciosos.

Leonel compreendia e aproveitava o grande momento. Ainda fez outro questionamento.

— Agora entendo. Só mais uma pergunta: Humbolt chamou a Amazônia de celeiro do mundo. Mas, a expressão que sempre me ficou, foi a de um grande berçário.

— Nem por isso você haveria de estar errado Leonel. Entre o seu berçário e o celeiro de inflexões espirituais na citação inspirada de Humboldt, esta completada por Emmanuel. Emerge em suas impressões, uma coleção de situações futuras, que praticamente fazem a ponte entre o seu modesto berçário de vida e o restante, da feita que você não sabia da continuação.

— Porém, chegando até Humbolt e atingindo as palavras de Emmanuel. Assim, podemos sustentar que na caminhada, gradativamente, todos enxergarão o celeiro amazônico do mundo.

Muita coisa para se pensar. Só se o amigo desse pelo menos uma pista, uma dica. Afinal, divisar o futuro ainda não é assim tão fácil. Não aqui da Terra. Não aqui da nossa praia.

— Só à guisa de esclarecimento: se o mundo é mutante, a floresta também o é. Se estamos evoluindo, a floresta também está. Já é sabido entre vocês que novas plantas e novos animais vão chegar em breve. Assim como plantas comestíveis de alto valor nutritivo. Posso lhe dizer que serão encontradas nas plagas amazônicas. Podendo então serem multiplicadas para o resto do mundo, quando chegar a hora. A fome no mundo não vai ser combatida com mais comida apenas, porém com mais teor nutritivo. Compreende agora?

Rafael deu continuidade.

— O processo de co-criação dos mundos pressupõe conhecimento científico. Aí entra a geografia, a biologia, geologia, química, física e matemática. Para citar as ciências mais comuns. Assim, o tempo gasto nos bancos escolares e das universidades nunca foi tempo jogado fora. É que a co-criação está sempre se renovando e necessitando de novas cabeças pensantes

— Muitos professores do Ensino Básico se frustram, quanto ao aproveitamento de suas disciplinas.

— Pois, que não se preocupem tanto. Quanto a estes professores que passaram anos oferecendo sua ciência, dando aulas nas escolas, e chegaram a acreditar ser um tempo perdido, não é bem assim. Estavam mais exatamente, fazendo a retenção, a guarda e a divulgação de conhecimentos de base, para o momento em que se pudesse ampliá-los e seguir na jornada científica, na continuação natural da vida dos espíritos. Nada se perde.

Prosseguiu mais uma vez.

— Meu amigo, na continuação da ciência oferecida por Deus, prevalece uma das máximas do Cristo. Só para lembrar: Muitos são os chamados, poucos os escolhidos.

— Veja que existem nuances, aspectos, sutilezas que nem nós sabemos. Ficamos na dependência de que, irmãos que venham das esferas superiores da vida, nos esclareçam a respeito.

Isso trouxe a conclusão do rápido encontro e do necessário retorno. Leonel acordou em seguida com a impressão de uma conversa singular.

É um universo grande demais para ser envolvido e compreendido com os pequenos braços científicos e os entendimentos, ainda incompletos da Terra.

Leonel, meio que sorridente, se virou na cama e tratou de dormir.

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