Por: Antonio Mata.
Chovia bastante, entre clarões e estrondos, acordou. Nestes dias estava surgindo uma certa incerteza, um receio, toda vez que a chuva caía mais forte. Se o vento não estaria soprando com mais força. Se tanta chuva no lugar, no ponto, seria suportável para as encostas e os baixios. Por onde existe e vive tanta gente. Quis ver as horas, o telefone já estava ligado com aquela mensagem automática de risco de alagamento.
Se deu conta de que já era fim de madrugada e que logo iria amanhecer. Mas não antes do aguaceiro escurecido cessar de vez. Assim, amanheceu mais tarde naquele feriado. Bastou a chuva parar e já se ouvia os primeiros trinados.
Lembrava do anoitecer no dia anterior. Certas árvores nos quintais, entre galhos e folhagens, criam acessos, passagens para o interior dos edifícios e seus muitos andares. Dava para ver aqueles grupos adentrando suas moradias. Meticulosamente se espalhando na direção da pontas dos galhos. Assim, ninguém suja ninguém e o condomínio vive sempre em paz e limpo.
As nuvens mais densas se esvaíram ou seguiram seu caminho. Ainda de olhos fechados nem percebeu que a manhã chegava. Deixou a cama e foi abrir a janela. Lá fora, o ar fresco e úmido com as nuvens escuras se afastando de um lado e o sol das seis, chegando do outro.
A moldura da manhã ainda não estava completa. Centenas de pássaros acionados por um comando invisível, iniciaram uma algazarra alegre e festiva, sustentando aquele falatório por um bom tempo e todos de uma só vez. Era a vida voltando e afirmando que logo após a tempestade, sempre virá a bonança.