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terra de espíritos

histórias, crônicas e contos

Mundos distantes

Por: Antonio Mata

Conectar, reunir e distribuir seres diversos provenientes de humanidades diversas, pela supressão do espaço-tempo. Isto, bem que poderia ser o propósito de um portal estelar.

O aproxima de uma hipótese em voga, o buraco de minhoca, um atalho que favoreceria o encurtamento do espaço-tempo, ao se provocar uma dobra. Alterando e diminuindo drasticamente a distância entre dois pontos. Quem sabe, entre dois mundos.

Águas extremamente frias crispadas ao vento intenso. Vagas se elevavam eventualmente indicando sua direção.  Contudo, as concentrações de espumas esbranquiçadas, borrifos enormes e frequentes, tudo na mesma direção, indicavam outra coisa.

Providos de vontade própria, o grande grupo avançava em segurança na superfície. Um baleal, coletivo de baleias; uma herpetofauna, coletivo de répteis ou um flutuador, o coletivo de crocodilos na água? Que seres seriam aqueles?

Reuniam-se e migravam em grupos de centenas de animais, caminhando para o milhar. Os extensos, frios e verdejantes oceanos abrigavam e alimentavam a todos. Havia equilíbrio, apesar de toda aquela grandeza.

No início eram dois ou três barcos pequenos. Logo, navios maiores passaram a entornar botes às dezenas, tão logo os grandes grupos fossem localizados. Iniciava-se a matança. Carne, óleo, ossos e souvenirs em profusão. Os gigantes marinhos de pele rajada, escura esverdeada não suportaram.

Em menos de cem anos já se aproximavam da extinção.

Por razões diversas, nenhuma delas boa, grandes contingentes daqueles seres de pele extremamente branca, acabaram transferidos, deportados que foram. Em outro mundo, a possibilidade da retomada da razão e do tempo perdido.

No barco, Lothar, de sorriso amarelo e menos dois dentes, olhava para o baleal na sua frente, enquanto Bjorn apreciava admirado. Imaginavam uma forma de pegá-los. O esforço, o risco e sacrifício valeriam a pena. Todos precisavam de carne, todos precisavam de óleo. O manancial estava ali, diante dos olhos.

Postos em um momento crítico de suas vidas, nem se deram conta de que eram os mesmos exterminadores de gigantes marinhos de um mundo distante.

Aprender, aprender e aprender. Para não ter de repetir velhas e antigas lições. Guardadas nos recônditos da memória e da alma de cada um. Tudo tão distante, tudo tão perto.

 

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