Por: Antonio Mata.
Telas hipnotizam pessoas e hoje se multiplicaram a tal ponto que constituem um problema grande, envolvendo crianças, jovens e adultos. Mas tudo tem sua estreia, seu nascimento. Para as telas não foi nada diferente.
Assistia TV junto aos demais, era um programa humorístico. Na sucessão de casos, anedotas e palavras de efeito, em dado momento, todos começaram a rir. Olhava sem nada entender, então perguntou à sua mãe.
— Não entendi nada mãe. O que foi que ele falou?
— Menino senta aí, senta aí e espia.
— Mas eu não entendi.
— Espia que você vai entender.
Dali a pouco nova gargalhada. A sala desabava de rir. A mãe, o tio, o avô colocando a dentadura para fora, a vizinha, a filha da vizinha com o filho no colo. Além do menino procurando o fio da meada para rir também. Ficava olhando para os demais com um sorriso bobo no rosto. Era só por achar engraçada a cara dos demais e não pela piada, já que não entendia. Com o final daquele quadro tornou a perguntar:
— Mãe, o que ele tava dizendo, mãe?
— Ah, depois eu te digo.
— Vô, o que foi que ele dizia?
O avô, que já tinha colocado a dentadura no lugar, respondeu:
— Agora já passou, já acabou. Tem que ser na hora pra poder explicar direito.
— Tio, o que foi que ele disse na televisão, o que ele disse?
— Ih, rapaz, falou um monte de coisa. Falou o tempo todo. Nem lembro direito. Pergunta aí da vizinha.
— Dona Conceição, o que foi que ele falou?
— O quê?
— O que que ele disse?
— Hein?
Desistiu, tinha esquecido que ela era meio surda. Olhou para sua filha com o filho no colo. Ela deu mostras de ter entendido, finalmente. Então, ela se pôs à responder:
— É..., cumé..., ele falou assim..., aquele negócio..., que mostrou ali..., o negócio que tava todo mundo rindo. — Com um sorriso amarelo de gente pateta, não explicou nada.
— É, tô vendo que ninguém sabe de nada.
Aquela fala chamou a atenção dos demais, que fuzilaram o guri com os olhos. Ato contínuo, sua mãe esticou o braço, alcançou sua orelha e o trouxe para mais perto.
— Fica sentado aqui e não dá mais nem um pio.
Humilhado e choramingando, não perguntou mais nada. Limitou-se a observar as pessoas na sala. Após vários comerciais, estavam atentos ao programa mais uma vez. Fitavam a tela em silêncio e assim permaneceram até o final da programação. Mesmo sem entender nada.