Por: Antonio Mata
Perdeu seu valor como algo que já não serve mais. Perdeu razão, motivo, de tanto que se viu sem uso. Quando acontece de não ser ao menos lembrada, quando não foi nem sequer conhecida. No roldão do muito que se perdeu e que ficou para trás.
Em meio a tantas possibilidades perdidas, uma nobre e simples manifestação se permitia mostrar. As crianças a viam, se admiravam, se aproximavam, queriam ver mais. Nas ruas prestavam atenção naquelas poucas e raras pessoas. Mas, não assim a ponto de desaparecerem na multidão. Manifestações nobres não são atiradas aos porcos. É preciso saber observar, conhecer e ter a predisposição necessária. Assim, aqueles capazes de observar tal natureza são poucos.
As mãos, foi posto nas mãos entre uns poucos, entre pobres e ricos. Super heróis sem o saber, das histórias que não se contou. Presente simples e sem alarde. Algumas crianças viam, mas quem haveria de lhes ouvir? E depois, saberiam explicar, poderiam entender?
Quando foi a última notícia, do último escândalo, da perdição do sujeito que de terno e gravata gostava de dar as ordens? Feito rastilho de pólvora, ganhou as ruas, as conversas e encheu as mentes. O que não presta dá notícia fácil. O burburinho precede a queda. A luz apenas espera.
Nos recantos de outras mentes mais simples é diferente. Sem os desesperos e os medos do nosso tempo, as predisposições se manifestam com mais facilidade.
Às crianças pouco importa. A menina passou e viu a luz que emanava das mãos o tempo todo. Que era verde e suave, que era diferente e incomum. A luz verde nas mãos dos homens e mulheres de cura.
Das mãos da faxineira que lavava o chão, da gerente, do empresário, do sacerdote que passa, da professora e do diarista. Dispersos, distantes, mas havia uma criança para ver. Viu porque estava lá. Pueris e inocentes, elas simplesmente viam.